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Servidores responsáveis por fraudes em concursos são afastados

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Atualizado em 18/08/2014 - 01:04

Por Ana Laranjeira       
Com informações do G1

A Polícia Federal informou nesta quarta-feira (11) que 282 pessoas foram indiciadas e 62 servidores foram afastados ou impedidos de tomar posse por causa das fraudes nos concursos da Polícia Federal, da Receita Federal, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A Operação Tormenta investigava, desde 2010, uma quadrilha que fraudava concursos públicos e também exames da Ordem Nacional dos Advogados (OAB). Nesse último caso, 152 candidatos tiveram acesso antecipado às respostas do exame e 1.076 “colaram” a prova. Segundo o delegado da PF, Victor Hugo Rodrigues Alves, todos os servidores nomeados e os que aguardavam nomeação foram identificados e já foram afastados ou estão em processo de desligamento.

Alves informou que os candidatos chegavam a pagar para a quadrilha US$ 150 mil (cerca de R$ 300 mil) pelo gabarito das provas. Para o exame da Ordem Nacional dos Advogados (OAB), o valor foi de R$ 50 mil, para a prova de agente da Polícia Federal de 2009, o valor foi de R$ 100 mil. Já o montante de US$ 150 mil seria pago para a prova de auditor-fiscal da Receita Federal de 2009. Os policiais rodoviários federais desviavam as provas durante o transporte e cobravam o dobro do valor para vender os documentos para a quadrilha, que elaborava os gabaritos e os revendia para os candidatos.

“A atuação da quadrilha foi descoberta com o desvio da prova do concurso para agente da Polícia Federal de 2009, mas a partir das investigações encontramos fraudes em concursos anteriores. Não há indícios de envolvimento de funcionários do Cespe/UnB [organizadora do concurso]”, afirmou Alves, durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta.

“Infelizmente existiam pessoas na Polícia Rodoviária Federal de má índole. A fraude aconteceu por causa de pessoas e não por causa das instituições”, ressaltou Roger Escalante, direitor de inteligência do Cespe/UnB. De acordo com Escalante, a organizadora passou a utilizar lacres de aço no lugar de plástico e não conta com parcerias de outras instituições para a guarda dos malotes das provas.

O Cespe/UnB informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que essas mudanças ocorreram a partir de março de 2010, quando foi deflagrada a Operação Tormenta. Devido às denúncias de fraudes reveladas pela Polícia Federal naquela ocasião, a instituição decidiu aumentar a segurança e passou a colocar os funcionários do próprio Cespe/UnB para fazer o acautelamento das provas.

Segundo Alves, para evitar novas fraudes, a PF passou a utilizar em seus concursos, a partir de 2010, o Sistema de Prospecção e Análise de Desvios em Exames, software usado na Operação Tormenta. Assim que o gabarito das provas é digitalizado, o software cruza os dados com os gabaritos dos candidatos para identificar possíveis fraudes. O software também foi utilizado no último concurso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

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