Professora Júnia Andrade comenta prova de Agente da PF - Portal de notícias CERS

Professora Júnia Andrade comenta prova de Agente da PF

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Atualizado em 18/08/2014 - 01:04

Prova da Polícia Federal comentada

Profa. Júnia

Gente, vou comentar rapidinho a prova de português, porque sei que muita gente fica aí apreensiva para saber se há algum recurso ou mesmo para estudar para o próximo concurso – o de escrivão, por exemplo – aquilo que errou neste.

Não vou dar uma aula de português, mas farei comentários gerais, ok.

Primeiramente, tome cuidado ao conferir seu gabarito, porque o Cespe sempre divulga primeiro a prova modelo. Aí, muita gente desavisada confere sua prova a partir da prova modelo. Há um link do site do Cespe, em que você entrará com seus dados para conferir corretamente seu gabarito pessoal. Isso evitará que você fique chochonho, achando que errou várias questões.

Aqui vou seguir o padrão, pois é a prova de que disponho agora. E já aviso: não vi espaço para recursos, viu, galera! As questões não deram margem a isso. Pode ser que, fazendo essa leitura escrita, eu mude de opinião. Mas vamos lá!!!

Então, você vai ler para aprender mesmo um pouco mais do port. do Cespe. Afinal, essa é a atitude de quem quer realmente uma vaga nos concursos.

Bora, prova de português!!!

Com relação às ideias desenvolvidas no texto acima e a seus aspectos gramaticais, julgue os itens subsequentes.

1. Com correção gramatical, o período “A rigor (…) histórico”

(R.10-11) poderia, sem se contrariar a ideia original do texto, ser assim reescrito: Caso se proceda com rigor, a análise desses conceitos, verifica-se que não existe diferenças entre eles.

Errada.

Verifica-se que não EXISTEM diferenças…

2. A informação que inicia o texto é suficiente para se inferir que que Freud conheceu a obra de Marx, mas o contrário não é verdadeiro, visto que esses pensadores não foram contemporâneos.

Errada! O texto diz claramente Marx poderia ter descoberto conceitos de Freud, não o contrário.

3. A expressão “dessas duas palavras” (R.11), como comprovam as ideias desenvolvidas no parágrafo em que ela ocorre, remete não aos dois vocábulos que imediatamente a precedem — “mais-valia” (R.8) e “inconsciente” (R.9) —, mas, sim, a “fetichismo” (R.7) e “alienação” (R.8).

Correta. As palavras estão no final do primeiro parágrafo.

4. Depreende-se da argumentação apresentada que a autora do texto, ao aproximar conceitos presentes nos estudos de Marx e de Freud, busca demonstrar que, nas sociedades “de mercado”, a “divisão do sujeito” (R.14) se processa de forma análoga na subjetividade dos indivíduos e na relação de trabalho.

Correta. A partir da linha 13 está a resposta com bastante clareza no texto.

5. Suprimindo-se o emprego de termos característicos da linguagem informal, como o da palavra “coisa” (R.9) e o do trecho “(como você e eu)” (R.10), o primeiro período do segundo parágrafo poderia ser reescrito, com correção gramatical, da seguinte forma: Essa prática social apresenta-se mais complexa na modernidade, onde a autoridade jurídica e moral submete-se à opinião pública.

Errada! O pronome ONDE só pode referir-se a lugar físico. No texto ele se refere a “ modernidade”.

6.No período “Nesse caso (…) estaria conosco” (R.3-5), como o conector “ou” está empregado com sentido aditivo, e não, de exclusão, a forma verbal do predicado “seria simples” poderia, conforme faculta a prescrição gramatical, ter sido flexionada na terceira pessoa do plural: seriam.

Errada. Os núcleos do sujeito são verbos. Temos sujeito oracional, o que leva o verbo para o singular: puxar…, afiar…ou assistir…SERIA SIMPLES.

7. De acordo com o texto, nas sociedades tradicionais, os cidadãos sentem-se aliviados sempre que um soberano decide infligir a pena de morte a um infrator porque se livram das ameaças de quem desrespeita a moral que rege o convívio social, como evidencia o emprego da interjeição “que alívio!” (R.8).

Errada. Até caberia uma forçar de barra nesta. Mas veja que o texto alude a algo que já acontece naturalmente nesse tipo de sociedade. Assim, a questão fica incorreta porque faz uma menção à possibilidade temporal de ocorrência dos fatos (sempre que…)

Mantendo-se a correção gramatical e a coerência do texto, a oração.

8.“se alguém é executado” (R.12), que expressa uma hipótese, poderia ser escrita como caso se execute alguém, mas não, como se caso alguém se execute.

Correta, pois a última frase inverte as relações sintáticas e, com isso, cria novo sentido para a frase inicial.

9. O termo “Essa discrição” (R.18) refere-se apenas ao que está expresso na primeira oração do período que o antecede.

Correta. Os anafóricos Essa, Esse, Isso, muito presentes nas provas de polícia, remetem-se à ideia imediatamente abordada.

10. Na condição de psicanalista, o autor do texto adverte que a punição de infratores das leis é uma forma de os indivíduos expurgarem seus desejos inconfessáveis, ressalvando, no entanto, que, quando se trata de crime hediondo, tal não se aplica.

Errada. Cuidado no texto, ele diz que é “possível que haja crimes hediondos”, em que isso não ocorra. A questão fala de uma ocorrência real. O texto fala sobre possibilidade.

11.  Na linha 24, considerando-se a dupla regência do verbo impor e a presença do pronome “mesmas”, seria facultado o emprego do acento indicativo de crase na palavra “as” da expressão “as mesmas renúncias”.
Errado. O próprio texto contém uma falha na regência. O correto seria o seguinte: …daqueles a que não se impõem as mesmas renúncias.
Vejam que “as mesmas renúncias” é sujeito do verbo impor e a partícula que recebe a preposição é a partícula “que”.

Com base no poema acima, julgue os itens subsequentes.

12. Considerando-se as relações entre os termos da oração, verifica-se ambiguidade no emprego do adjetivo “pensativos” (v. 40), visto que ele pode referir-se tanto ao termo “vossos mortos” (v.38) quanto ao núcleo nominal “olhos” (v.40).

Correta. Como há dois nomes masculinos e plurais, a duplicidade de sentido naturalmente nasceria.

A ambiguidade tem como uma das ocorrências: haver dois elementos que antecedem um elemento final que concorda com ambos. Esse é um caso clássico.

Exemplo: a empregada da atriz que estava na janela caiu.

Quem estava na janela?

Há dois nomes: emprega e atriz.

Há o verbo no singular, concordando com ambas: estava.

13. No poema, que apresenta uma denúncia de atos de abuso de poder, foram utilizados os seguintes recursos que permitem que a poeta se dirija diretamente a um interlocutor: emprego de vocativo nos versos 1, 9 e 33 e de verbos na segunda pessoa do plural, todos no imperativo afirmativo.

Errado. Primeiramente vale notar que há verbo no modo indicativo.

Exemplo: v.3 …que calculais mundo e vida

14. O emprego do pronome possessivo em “seus rutilantes vestidos” (v.12) evidencia que essa expressão corresponde à vestimenta usada por autoridades em eventos solenes.

Errado. Foi pedadinha! A pergunta se debruça sobre o pronome, ou seja, o “seus”. O pronome concorda com “vestidos”, mas se refere ao possuidor. Outro fato: o texto não diz que as vestimentas pertencem ocasiões “solenes”.

15. No verso 23, a forma verbal “nascidas”, apesar de referir-se a todas as expressões nominais que a antecedem, concorda apenas com a mais próxima, conforme faculta regra de concordância nominal.

Errado. Concorda com “profundas sepulturas” e se refere a elas!

16.  Os trechos “Por sentenças, por decretos” (v.29) e “Por fictícia autoridade, vãs razões, falsos motivos” (v.35-36) exercem função adverbial nas orações a que pertencem e ambos denotam o meio empregado na ação representada pelo verbo a que se referem.

Errado, a última expressão, por exemplo, é adjunto adverbial de causa, pois foi o elemento motivador da ação verbal de matar em “Por fictícia autoridade, vãs razões, falsos motivos, 37 inutilmente matastes:…”

Choveu redação oficial na prova! Vamos lá!!!

Julgue os fragmentos contidos nos itens a seguir quanto à sua correção gramatical e à sua adequação para compor um documento oficial, que, de acordo com o Manual de Redação da Presidência da República, deve caracterizar-se pela impessoalidade, pelo emprego do padrão culto de linguagem, pela clareza, pela concisão, pela formalidade e pela uniformidade.

17. Cumpre destacar a necessidade de aumento do contingente policial e que é imperioso a ação desses indivíduos em âmbito nacional, pelo que a realização de concurso público para provimento de vagas no Departamento de Polícia Federal consiste em benefício a toda a sociedade.

Errada. …é imperiosa a ação../em benefício de…

18. Caro Senhor Perito Criminal,

Convidamos Vossa Senhoria a participar do evento “Destaques do ano”, em que será homenageado pelo belo e admirável trabalho realizado na Polícia Federal. Por gentileza, confirme sua presença a fim de que possamos providenciar as honrarias de praxe.

Errada. Fere o princípio da impessoalidade, já que há elogios no texto.

Outros princípios da Redação Oficial: objetividade, clareza, concisão (=economia de expressões), formalidade (educação, polidez), uniformidade (padrão das correspondências públicas) e correção.

19. O departamento que planejará o treinamento de pessoal para a execução de investigações e de operações policiais, sob cuja responsabilidade está também a escolha do local do evento, não se manifestou até o momento.

Correta. Texto perfeito!

20. Senhor Delegado,
Segue para divulgação os relatórios das investigações realizadas no órgão, a fim de fazer cumprir a lei vigente.

Errada. SEGUEM…os relatórios.

21. Solicito a Vossa Senhoria a indicação de cinco agentes de polícia aptos a ministrar aulas de direção no curso de formação de agentes. O início do curso, que será realizado na capital federal, está previsto para o segundo semestre deste ano.

Correto!

Vossa Senhoria = empregado para diretores, chefes, pessoas renomadas e/ou graduadas.

Com relação ao formato e à linguagem das comunicações oficiais, julgue os itens que se seguem com base no Manual de Redação da Presidência da República.

22.A exposição de motivos de caráter meramente informativo deve apresentar, na introdução, no desenvolvimento e na conclusão, a sugestão de adoção de uma medida ou de edição de um ato normativo, além do problema inicial que justifique a proposta indicada.

Errada. A exposição de motivos tem duas características: ela pode versar sobre prestação de contas ou proposição de projetos. É sempre dirigida a aula autoridade administrativa superior. Por isso, seu fecho será sempre “Respeitosamente”.

23. A estrutura do telegrama e da mensagem por correio eletrônico de caráter oficial é flexível.

Correta. Elementos formais, como espaçamento, fonte etc. são dispensáveis nas correspondências eletrônicas.

Mas a correção gramatical deve ser mantida e tais correspondências só têm valor oficial se houver uma certificação eletrônica para tal.

24 As comunicações oficiais emitidas pelo presidente da República, por chefes de poderes e por ministros de Estado devem apresentar ao final, além do nome da pessoa que as expede, o cargo ocupado por ela.

Errada. O Presidente da República precisa assinar o expediente. Mas ele não precisa preencher seu nome e cargo.

25.O referido manual estabelece o emprego de dois fechos para comunicações oficiais:  Respeitosamente, para autoridades superiores; e  Atenciosamente, para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior. Tal regra, no entanto, não é aplicável a comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras.

Corretíssimo!

26  A menos que o expediente seja de mero encaminhamento de documentos, o texto de comunicações como aviso, ofício e memorando, que seguem o padrão ofício, deve conter três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão.

Corretíssimo! Esse é um padrão de textos em geral.

REDAÇÃO

    O Cespe facilitou demais a redação. Naturamente, vocês deveriam saber a resposta para as questões, se não a facilidade não existe.
Assim, por exemplo, para agente, cuja prova trazia dois tópicos, quem foi objetivo e respondeu com fundamentação legal os aspectos mandou muito bem.

    Vocês poderiam desenvolver diversas estruturas, o que vou exemplificar com dois modelos:

1º parágrafo introdutório: resgate do caso fictício ou introdução geral

2º resposta clara e objetiva, fundamentada, sobre a papel da PF no caso. Por sinal, a resposta deveria ser afirmativa.

3º resposta clara e objetiva, também fundamenta em lei, sobre o tipo de crime contra a Adm. Pública. Vocês sabem melhor do que eu: Corrupção Ativa.

4º parágrafo conclusivo: balanço geral dos eventos, sem ser muito repetitivo em termos de palavras já empregadas no texto.

    Poderíamos ter também estrutura formada por parágrafos que respondem diretamente a questão. Não precisamos de um padrão estrutural. Veja que o Cespe dispensou isso. Se respondeu corretamente, resgatou palavra-chave dos aspectos e comprovou tudo,… amigo, pode ter chegado a sua vez!

    O que eu senti é o que Cespe se deu conta de que o tempo entre a divulgação do edital e a prova foi muito exíguo para a preparação dos candidatos e que isso poderia implicar notas baixas.

    Acredito nisso porque a banca não ficou fissurada em expor tema de conhecimento geral, cheio que aspectos complicados. Comparem, por exemplo, a prova deste ano com a de 2008…

Ela foi muito objetiva.

 Propôs uma prova de português, por exemplo, se comparada a períodos anteriores, fácil, e uma prova de redação também com pedidos fáceis, pois pediu competência da PF e crime contra a Administração Pública.

    Quem colocou outros exemplos de práticas noticiadas sobre esse tipo de crime também fez excelente trabalho.

    Acho que a média não deve ser alta, porque muita gente relatou que as salas estavam vazias. Muita gente não foi fazer a prova.

    A maioria das pessoas não conseguiu estudar, por conta do tempo curto mesmo, e muitas não souberam com segurança as respostas da prova discursiva.

    São muitas vagas e creio que a vez de muitos de nossos alunos tenha chegado.

Que sejam abençoadas estas palavras e que a vaga venha para os que são dignos desse mérito, porque estudaram mesmo para esse almejado concurso.

Bjo grande e deixo aqui minha parcela pequena de colaboração! Júnia.

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