Plano é condenado por negar cirurgia de emergência devido a carência - Portal de notícias CERS

Plano é condenado por negar cirurgia de emergência devido a carência

Por:
Atualizado em 25/01/2018 - 12:04

Citando a jurisprudência do STJ, no sentido de que a cláusula que estabelece o prazo de carência deve ser afastada em situações de urgência, pois o valor da vida humana se sobrepõe a qualquer outro interesse, um juiz de Fortaleza condenou um plano de saúde a indenizar o pai de paciente que teve negada uma cirurgia de emergência.

A criança foi levada ao hospital e diagnosticada com apendicite grau 4. A recomendação médica era de cirurgia imediata, contudo, ao solicitar o procedimento, o plano de saúde negou o pedido alegando que faltavam 25 dias de carência. A criança foi levada a outro hospital, onde a cirurgia foi realizada.

Em ação judicial, o representante legal do paciente requereu indenização por danos materiais e morais. A seguradora se defendeu alegando a carência não cumprida e a inexistência de ato ilícito, mas o juiz entendeu que a conduta do plano de saúde foi abusiva: a situação era de urgência, e, portanto, de acordo com a Lei. 9.656/98, a carência é de 24 horas.

“Ao negar o fornecimento do tratamento ao autor, encontra-se em descompasso com a legislação do consumidor, além de ofender o princípio da dignidade humana, consagrado a nível constitucional, e observado pela Lei 9.656/98, que trata dos Planos de Saúde. Ademais, os direitos à vida e à saúde, que são direitos públicos subjetivos invioláveis, devem prevalecer sobre os interesses administrativos e financeiros da instituição privada”, complementou.

A sentença condenou a seguradora nos danos morais, mas julgou improcedentes os danos materiais, vez que não foram comprovados nos autos. 

Tags relacionadas:

COMENTÁRIOS