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Peças processuais e questões subjetivas

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Atualizado em 18/08/2014 - 01:04

É preciso estar atento às estruturas linguísticas e gramaticais ao responder provas subjetivas. Simples cuidados podem garantir a aprovação

Por Ana Laranjeira

Grande parte dos processos seletivos para órgãos públicos apresenta em suas etapas provas objetivas e subjetivas. As temidas redações aparecem vez ou outra e deixam muitos dos candidatos inseguros, afinal, elaborar ideias e estruturá-las no papel é tarefa muito mais complicada do que escolher a alternativa correta. Com as peças processuais e questões subjetivas não é diferente. Como escrever? Por onde começar? São perguntas comuns. A resposta é simples: comece estudando língua portuguesa e interpretação de texto.

Um pouco de atenção às estruturas linguísticas e gramaticais pode dar ao candidato os subsídios necessários para ganhar alguns pontos junto ao avaliador. Para listar dicas importantes para aqueles que desejam primar pela escrita de peças processuais e respostas às questões subjetivas, convidamos o professor Edvaldo Ferreira. Ele frisa a importância da objetividade e emprego da norma padrão do idioma como pontos principais. Confira:

OBJETIVIDADE
Procure primar pelo uso da objetividade. Ela consiste em contextualizar fatos e informações encontradas na legislação brasileira. É muito importante que o candidato se ausente do que estiver sendo contextualizado. Você está sendo avaliado por sua capacidade de articular incisos, parágrafos, súmulas, alíneas entre outros itens objetivos que constituem partes específicas coerentes com a proposição da comissão que elaborou sua prova. Lembre-se de que você não pode construir um texto opinativo.

NORMA PADRÃO     
Suas respostas precisam ter o adequado emprego da norma padrão de nosso idioma. Portanto, concordância, regência, pontuação, acentuação gráfica, ortografia são aspectos que não podem ser ignorados, dentre outros que orquestram o uso normativo de nosso idioma. A escrita sem erro gramatical é indispensável.

OLHAR SISTÊMICO          
O candidato precisa saber, diante do estudo de caso apresentado pela comissão, olhar de maneira sistêmica. Isso é simples: basta o candidato reconhecer: 1. Os crimes que se contextualizam no caso proposto; 2. Os deslizes que às vezes surgem em ações praticadas por personagens que constituem o enredo da proposição da banca; 3. Os prazos que geralmente são exigidos em legislações específicas; 4. A precedência de atuações advocatícias respeitando as etapas que sequenciam a desconstrução da tensão – com a resolução do problema (todo estudo de caso traz conflito).

CONCISÃO      
Reconheça a importância de se mostrar conciso, sem prolixidade ao expor seu texto. Saber não ser redundante é aproveitar o espaço que se tem para apresentar a resposta oportuna à comissão julgadora (o assunto período, por exemplo, é indispensável para articular ideias/ fatos). O assunto período, com o estudo de seus conectores, proporciona expressiva articulação macro no texto que se escreve para a comissão julgadora. Deixar explícita, por exemplo, a articulação no texto é sinalizar sua habilidade em apresentar coesão entre os fatos decantados na legislação que se esteja trabalhando na hora da prova.

CENTRAÇÃO TEMÁTICA            
Não se atenha em demasia a um ponto secundário na questão. Portanto, o candidato deve apresentar capacidade de identificar hierarquicamente os fatos, reconhecendo a centração temática do caso selecionado pela comissão. Sobre ela, sim, haverá maior progressão interna ou imersão sistêmica. Mais uma vez surgem os conhecimentos do assunto PERÍODO para garantir essa maior verticalidade no conteúdo {contextualização de causa (não confundir MOTIVO com MOTIVAÇÃO); consequência (efeitos jurídicos); levantamento de hipótese (o não cumprimento de um prazo estabelecido em lei, por exemplo) e comparações por exemplo.

EVITE REPETIR PALAVRAS      
O candidato deve ter o cuidado de não repetir acentuadamente palavras. A repetição é considerada errada, quando existe a possibilidade de substituir o termo antes empregado por sinônimos, ou por pronome que represente a retomada. Essa repetição de palavras demonstra falta de habilidade no uso de elementos sequenciadores do referente que esteja sendo posto em progressão na composição.

EVITE TERMOS DESNECESSÁRIOS   
Não use palavras ou termos que não acrescentam significado ao texto e apenas fazem subtrair o espaço que se tem para responder a discursiva que foi proposta pela banca examinadora. Lembrar que esses termos sem acréscimo no conteúdo também podem prejudicar a concisão e a clareza do texto apresentado como resposta aos examinadores.

PONTUAÇÃO    
Cuidado com a pontuação empregada no texto que você apresenta em sua prova. Falta de pontuação pode modificar o sentido do que se pretende escrever, assim como o uso indevido de uma vírgula pode também prejudicar a intenção do que se deseja deixar para a comissão como resposta. Portanto, é necessário revisar PONTUAÇÃO.

ESTRUTURA SINTÁTICA  
Recursos como EXEMPLIFICAÇÃO, CITAÇÃO, ENUMERAÇÃO, RELAÇÃO DE CAUSA E CONSEQUÊNCIA, COMPARAÇÃO são significativos para o desenvolvimento do conteúdo durante a resposta que se deseja apresentar à banca examinadora, assim como o emprego de uma ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA (para explicar ou restringir algo mencionado antes), o uso de um APOSTO, a utilização de uma ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL CONCESSIVA para contextualizar estrutura tensiva. Logo, procure revisar a estrutura sintática de nosso idioma.

ESTRUTURAS SUBORDINADAS 
Que se recorde o candidato, durante a escrita de seu texto, das estruturas subordinadas. Elas apresentam melhor estilística, quando comparadas com as coordenas. Assim, é fato a necessidade de seu texto empregar predominância de estruturas subordinadas. Com isso, aos olhos do revisor, a capacidade do candidato de se mostrar com maior complexidade em sua enunciação é nítida. Entenda-se complexidade como qualidade de maior engenharia na composição de seu texto. 

ORGANIZAÇÃO DAS IDEIAS     
A unidade do texto exige que o candidato se recorde de que cada tópico levantado no estudo de caso esteja contido num todo.  O candidato, com isso, está sendo avaliado não apenas pelo conhecimento objetivo, mas também pela capacidade de organização de seu texto escrito, com seus encadeamentos, suas conexões, sua habilidade, enfim, sua capacidade de imbricar fatos e informações. Assim, é importante que visualize sistemicamente (é mostrar o modus operandi, a funcionalidade do que se escreve na legislação brasileira) o caso, selecionando a utilização da Constituição, de artigos, súmulas etc.

QUEBRA DE PARALELISMO      
Cuidado com a quebra de paralelismo. Isto ocorre, por exemplo, quando se inicia uma ideia e, em seguida, ela é interrompida para a inclusão de outras afirmações, mas a ideia antes iniciada não tem sua finalização. Em “Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte, para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias.”, há quebra de paralelismo. Observe que eu não inseri o verbo que dará início à ação praticada pelo sujeito “Nós”. Se após “controvérsias” eu substituir o ponto por vírgula  e acrescentar “promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil”, terei corrigido a quebra de paralelismo no preâmbulo da Constituição.  É oportuno revisar a estrutura sintática da Língua Portuguesa.

USO DO VERBO “HAVER” 
O verbo HAVER, no sentido de EXISTIR, é impessoal. Consequentemente, procure sempre escrever o verbo HAVER na 3ª pessoa do singular. Exs.:  “Haveria discórdias, se…” ( forma correta ) / “Haveriam discórdias, se…” ( forma incorreta ); “Há de haver três critérios que…” ( forma correta) / “Hão de haver três critérios que…” ( forma incorreta ).

 

PALAVRAS-CHAVE   
As palavras-chave não podem ser ignoradas. Falar do conteúdo exigido pelo tema / ou pelo estudo de caso apresentado, mas não trazer as palavras-chave, caro candidato, é ignorar a devida importância a estruturas onomásticas do Direito. Assim como estudamos o substantivo como a classe gramatical responsável por nomear referentes / “coisas”, o conteúdo que se contextualiza na hora da prova discursiva também tem seus referentes. O candidato precisa identificar as palavras-chave que dão nome ao universo específico do que lhe foi exigido: TIPIFICAÇÃO DE CRIME, IDENTIFICAÇÃO DE PRINCÍPIOS, EFEITOS JURÍDICOS etc.

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