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Pais faturam alto explorando crianças nas ruas

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Atualizado em 18/08/2014 - 01:04

Pesquisa sobre o perfil de crianças que vivem nas ruas do Recife comprova que a utilização de menores virou um bom negócio para os pais. Os mais novos são os que rendem mais dinheiro. De 0 a 7 anos eles chegam a ganhar R$ 15, por dia, enquanto os de 8 a 11 anos arrecadam, em média, R$ 10. Os dados mostraram que cerca de 1/4 dos bebês de até 2 anos passam no mínimo seis horas na rua, dos quais quase metade (44,5%) permanece 24 horas, de domingo a domingo. O trabalho de campo foi realizado no mês passado, durante três dias, quando foram entrevistadas 50 crianças que circulam pela Avenida Visconde de Jequitinhonha (Boa Viagem), Imbiribeira, Avenida Agamenon Magalhães (Derby), Aflitos, Casa Amarela, Avenida João de Barros (Santo Amaro), Centro da cidade e Bairro do Recife.

Os dados foram divulgados ontem, para marcar o Dia Internacional das Crianças Vítimas Inocentes da Violência e Agressão, no Fórum Paula Batista, no Centro da cidade, pela Associação Beneficente Criança-Cidadã (ABCC). A pesquisa foi dividida em duas faixas etárias: crianças de 0 a 7 anos e de 8 a 11 anos. Para a coordenadora de Direitos Humanos da ABCC, Maria Cláudia de Azambuja, na primeira fase da infância o indivíduo forma a sua personalidade, enquanto na segunda fase, elas passam a racionalizar suas ações. “O que a gente constata é que existe uma indústria alimentada pelos próprios pais. É um excelente negócio colocar filhos de até 7 anos nas ruas. Muitas mães já engravidam pensando nisso”, afirma Maria Cláudia.

A maioria das crianças que vive pelas ruas da capital pernambucana é do sexo feminino, tem cor parda ou preta, possui residência fixa e mora com os pais. O estudo indicou que grande parte desses meninos e meninas mora na comunidade do Coque, na Ilha Joana Bezerra, área central da cidade. Mais de 60% não são beneficiadas por programa de governo. O desemprego dos pais é o principal motivo de estarem nas ruas pedindo dinheiro.

Entre as crianças de 8 a 11 anos, também observou-se que a maioria é menina (51,9%), de cor parda (55,6%) ou preta (37%), com residência fixa (96,3%), mora no bairro do Coque e com os pais (55,6%) e também não é beneficiada por qualquer programa de governo (51,4%). O dinheiro recolhido é, na maior parte dos casos, entregue às mães. Como já estão em idade escolar, pedem dinheiro apenas à tarde, pois pela manhã freqüentam a escola.

A associação aproveitou a apresentação da pesquisa para lançar o Projeto Cultura Cidadã, que pretende desenvolver ações e estabelecer parcerias para retirar as crianças das ruas e amparar suas famílias. “Em São Paulo, crianças de 7 anos já estão assaltando com um revólver na mão. Temos que agir para impedir que isso aconteça no Recife. A indignação da sociedade é fundamental para tentarmos transformar essa realidade.”

 

 

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