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A importância da Oratória para as Carreiras Jurídicas

Entenda por que você precisa dominar técnicas de comunicação e a melhor maneira de elaborar a sua fala na seara forense.

Thaísa Moraes
Por:
Atualizado em 21/09/2018 - 16:23
Fique por dentro da importância da Oratória para as Carreiras Jurídicas!

Já que você está se preparando para ingressar nas Carreiras Jurídicas, é bom saber se portar nas mais diversas situações profissionais. Ao estar diante de colegas, clientes e da população, o operador do Direito precisa se fazer entender bem. Já que a comunicação será sua principal aliada, é fundamental se expressar com clareza e objetividade não só em texto, mas também na fala.

Para ajudar você na missão de se apresentar diante do universo forense, o professor Guilherme Miziara, especialista no assunto, explica técnicas valiosas que podem fazer toda diferença no seu discurso.

Guilherme Miziara Ele é palestrante e professor de Oratória Jurídica e Negociação do CERS Cursos Online e Docente da Graduação em Direito do Ibmec.

Ministra disciplinas de Negociação, Comunicação Empresarial, Técnicas de Comunicação e Oratória e Sustentação Oral no Ibmec.

É também Professor da disciplina Habilidades em Comunicação na FDC e no Coppead.

 

A exigência da oratória

Trata-se de uma situação que se você ainda não passou, certamente, ainda vai passar. Inclusive, quando o profissional fala que estuda ou possui formação em Direito, é comum que as pessoas já o imaginem com uma excelente oratória. A princípio, você pode pensar que é exigência demais. Entretanto, ao longo da sua carreira, independente de qual seja a sua ocupação nas Carreiras Jurídicas, com certeza, vai perceber que a fala assertiva nada mais é do que uma necessidade básica em sua profissão. 

Quer um exemplo? Numa tribuna, a sua argumentação deve proposta de forma bem eloquente. Até aí, tudo bem. O problema é que a maioria das faculdades ensina disciplinas técnicas, mas esquece que, para implementar quase tudo do que é visto na faculdade, o profissional precisará se comunicar com excelência.

 

Com a palavra, Guilherme Miziara

Como professor de Oratória Jurídica, posso afirmar que grande parte dos alunos sai despreparada no que tange à comunicação e oratória. Muitos conhecem o tema, mas não conseguem transmitir suas ideias de maneira eficaz. Falar em público é muito mais do que dominar o conteúdo e proferir belas palavras.

Conhecer as técnicas e entender como estruturar o discurso fará com que as palavras ganhem mais força. Com isso, você atingirá seu resultado com mais facilidade e menos desgaste físico e emocional. Vamos às táticas e ferramentas.

 

Busque informações!

Se você argumentar sempre da mesma maneira, atingirá somente parte do seu público. Busque informações quando for sustentar oralmente o discurso. Em caso de advocacia, é válido conhecer as preferências do desembargador que ouvirá seus argumentos, a câmara em que vai sustentar e assistir a outros advogados sustentando. Qualquer informação que você tiver sobre quem julga será relevante para direcionar o discurso. Direcionando o discurso você vai levar muito mais argumentos relevantes e descartará os irrelevantes para aquela situação.

Logo após vem a necessidade de organizar o que tem a dizer. Muitos profissionais têm na cabeça tudo o que precisam dizer, mas na hora de argumentar simplesmente “jogam” seus argumentos. Quando os julgadores não conseguem entender a coerência do discurso ou não percebem o ponto central da argumentação, fica muito mais difícil deferir a seu favor.

Se você não estrutura o seu discurso com início, meio e fim, os juízes ou desembargadores podem perder o argumento principal e prestar atenção no argumento de menor importância. Em resposta, o juiz deve fazer-se entender bem pela sua decisão. No caso da área de polícia, por exemplo, o Delegado deve fazer sua equipe entender bem o caso e as funções que cada um irá desempenhar.

Construir o cenário e argumentar com provas e de forma lógica ajudará na compreensão da mensagem. O que quero dizer com isso? É que preparação é fundamental. Uma “apresentação” de ideias visa somente “apresentar” aquilo que foi preparado anteriormente.

 

Organize seu discurso

Se você não entendeu os melhores argumentos, se não os selecionou e viu como eles impactariam, você não planejou e, consequentemente, não tem nada a apresentar. Prepare o conteúdo e defina os melhores argumentos para aquela situação.

De posse das informações sobre o caso que estiver trabalhando, defina o que é relevante ser comentado dentro da sua tese. Uma maneira muito boa para organizar os argumentos é você definir o “peso” de cada um deles e depois distribuir da seguinte forma. Se os argumentos forem muito fortes, coloque cada um deles de forma bem destacada, valorizando cada elemento e cada palavra, discorrendo sobre cada um deles durante o tempo que tiver disponível.

Se os argumentos forem fracos, coloque-os de uma vez só, dando a ideia de que são muitos para, com isso, dar a ideia de que eles têm muito peso e devem ser considerados. Uma outra possibilidade é você ter argumentos com pesos diferente e, nesse caso, existe um erro muito comum: começa-se em ordem crescente para construir o pensamento e concluir com o gran finale! Não faça isso!

Os julgadores, outros profissionais ou a sua equipe de trabalho podem perder a atenção por não considerarem relevantes seus primeiros argumentos e podem não acompanhar o discurso até o fim. Caso você tenha pesos diferentes nos argumentos existe uma fórmula que deixará a audiência atenta: você poderá até deixar o melhor argumento para o fim e seguir em ordem crescente de relevância, mas precisa ter o segundo melhor já no início do discurso!

 

Faça contato visual

O grande segredo da oratória para as Carreiras Jurídicas é equilibrar conteúdo (bons argumentos e fundamentação) com a forma (expressões corporais, faciais e voz). Alguns aspectos da forma destacam os pontos mais importantes do discurso e trazem mais impacto às suas palavras e facilitando a compreensão de seus pontos.

A ferramenta de grande destaque quando o assunto é forma certamente é o contato visual. Seja em uma audiência, em uma sustentação oral ou conversando com outros colegas de trabalho, você precisa olhar para todos os presentes. É muito comum observar um advogado, por exemplo, em uma sustentação oral, olhando somente para o presidente da mesa. Essa atitude é ruim porque, muitas vezes, o presidente nem voto tem e você, sem querer, deixa de olhar para os outros desembargadores.

Além de ser ruim porque os desembargadores se sentem excluídos, o contato visual tem a função de auxiliar na observação da postura deles. Muitas vezes, quem está ali do outro lado julgando, demonstra por meio de sua postura facial e corporal se entendeu ou não o que você quis dizer. Se ele entender, siga, se não entender, traga outro argumento que reforce o primeiro.

 

Mude o tom da sua voz

Destacando mais aspectos que influenciam diretamente na sua argumentação, com um advogado, um juiz, um cliente ou qualquer operador do Direito), temos a variação da voz e o destaque nas palavras corretas. Leia a seguinte frase destacando (falando mais alto) a palavra com letras maiúsculas:

— Esse projeto vai trazer um retorno de ATÉ setenta por cento.

— Esse projeto vai trazer um retorno de até SETENTA por cento.

Qual projeto parece melhor? O segundo, certo? O que significa que, em uma mesma frase, você pode destacar ou omitir algum aspecto que julgue importante ou que ache impertinente. Saber variar o tom da voz e destacar as palavras mais importantes no discurso farão com que as pessoas prestem mais atenção aos pontos de destaque do seu discurso e fiquem mais concentradas em seus argumentos. Muitos alunos meus, principalmente na Graduação (por timidez), têm dificuldade de dar destaque nas palavras por terem a voz baixa.

O ideal é destacar a palavra aumentando o volume da voz, mas existem técnicas que auxiliarão você que não consegue modular o volume. As técnicas a seguir conseguem quase o mesmo efeito. São duas as outras possibilidades: você pode colocar uma pausa antes e outra pausa depois da palavra que deseja destacar ou pode separar silabicamente a palavra que gostaria de dar destaque. Tanto em uma quanto na outra você poderá manter o tom de voz que a palavra ganhará o devido destaque. Vale treinar e colocar em prática em seu próximo discurso.

Uma necessidade quando argumentamos é entender que as pessoas têm experiências diferentes das nossas e visões de mundo que podem não ser muito parecidas. Por isso, é necessário explicar uma sigla ou um jargão ou expressão técnica na hora que colocamos nossos argumentos. Se as pessoas não entenderem o que você diz, é ruim, mas se elas acharem que entenderam pode ser pior.

 

Gesticule para prender a atenção das pessoas

Fator determinante para dar ênfase ao conteúdo, além da voz, é a gesticulação. Evite gestos muito amplos quando estiver próximo às pessoas. Assim, você acaba invadindo o espaço delas e esses gestos podem deixa-las desconfortáveis. Da mesma maneira, evite gestos muito curtos quando estiver com as pessoas afastadas (em uma palestra ou em uma tribuna, muito longe de quem avaliará o seu discurso) porque eles não darão a ênfase necessária.

Os gestos complementam seu discurso e precisam estar de acordo com as palavras. Os gestos devem ocorrer acima da linha da cintura e abaixo da linha do queixo. Se precisar sair desse campo, sem problema, desde que não seja o tempo todo. Realize 95% da sua gesticulação na área anteriormente mencionada. Quando sentado evite apoiar os cotovelos na mesa e gesticule de forma mais suave. Gestos ágeis durante uma conversa com o seu cliente, na mesa de reunião, poderá passar ansiedade e tirar o foco do conteúdo apresentado.

Uma dica de técnica para entender quando um gesto é bom: ele é dentro do padrão, ou seja, considerado um gesto perfeito e natural, quando ocorre durante ou um pouco antes da palavra que ele representa. Não é para você ficar pensando nisso! Apenas repare que se o gesto ocorrer após a palavra proferida, ele transmitirá uma ideia de artificialidade e não de naturalidade.

 

Seja espontâneo ao falar

Por último, não decore seus argumentos e, muito menos, leia seu discurso em um “papelzinho” escrito previamente. Você não está proibido de levar anotações e utilizá-las ao longo de uma conversa, mas ler na íntegra tudo que preparou pode dar a ideia de que não foi você quem redigiu. Pior ainda: não deixará seu discurso natural e você terá mais dificuldade de implementar as ênfases.

Todos os itens citados acima demonstram o quão complexo é o cenário na hora de expor seus argumentos. Esse cenário vai muito além da fala, pois também passa pela adequação da roupa, a capacidade de modular a voz, o vigor na gesticulação e, acima de tudo, a preparação de tudo isso. Destaco, aqui, que é preciso entender os aspectos e a importância da oratória, mas somente isso não será suficiente.

Como qualquer outra habilidade é preciso treinar e colocar em prática sempre que tiver oportunidade. De nada adianta assistir a vídeos de como jogar futebol, é preciso entrar em campo! O advogado precisará se comunicar profissionalmente, de forma oral, nos próximos 30 ou 40 anos, logo, é preciso que saiba como fazer. Caso contrário, ele se expressará sem saber.

 

Dê o seu melhor!

Comunicar-se é algo que faz parte da vida do operador do Direito e, já que ele precisa valer-se dessa habilidade, é bom que saiba como executá-la. Entenda as ferramentas, perceba os detalhes, prepare-se. Busque cursos na área, treine em frente ao espelho, grave as suas sustentações e apresentações no escritório. Depois observe como plateia e pense o que você mudaria ali para tornar o discurso mais interessante e envolvente. Lembre-se que os argumentos são frios e que a forma como você os conduzir será a forma que os outros compreenderão.

E não justifique que não nasceu para se comunicar! Aristóteles dizia que “a excelência não é um ato, mas um hábito”. Siga as dicas, capacite-se e treine muito! Você ficará impressionado já com a sua primeira experiência após implementar essas técnicas.

 

Conteúdo

Continue acompanhando a nossa série sobre Carreiras Jurídicas! Na semana que vem você vai conferir as disciplinas que mais caem em concursos públicos da área. Com os melhores professores do Brasil, você vai descobrir os perfis de duas profissões. Fique ligado!

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