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Lula sancionará licença de 6 meses

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Atualizado em 18/08/2014 - 01:04

SÃO GONÇALO DO AMARANTE (CE) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, em São Gonçalo do Amarante (a 60 km de Fortaleza, que vai sancionar o projeto, aprovado pelo Congresso, de ampliação da licença-maternidade de quatro para seis meses.

“A lei está lá e eu vou sancionar”, disse. Segundo Lula, é mais barato investir para cuidar das mulheres no pós-parto do que gastar no tratamento das crianças que adoecem em conseqüência da ausência de cuidados pelas mães.

O presidente reclamou dos rumores de que poderia vetar a lei devido a pressões do setor produtivo e do impacto fiscal, calculado em R$ 800 milhões por ano.

“Não sei quem foi que disse que eu iria vetar. Estou achando muito engraçado a capacidade de adivinhação de coisas que eu não digo.”

A recomendação do veto foi do ministro Guido Mantega (Fazenda), preocupado com o custo. Lula, porém, entendia que o veto provocaria efeitos negativos na sua popularidade.

Em reunião com líderes partidários do Conselho Político do governo, anteontem, ele se mostrou insatisfeito com o fato de o Congresso não ter barrado o projeto, transferindo o ônus da decisão para o Planalto.

Ontem, no porto de Pecém, onde visitou as obras do terminal de regaseificação, o presidente afirmou que a ampliação da licença-maternidade não vai afetar a economia. Segundo ele, a maioria das empresas deduzirá os custos no Imposto de Renda. “Depois, você vai repartir isso com os municípios e com os Estados, porque o Imposto de Renda é repartido entre eles”, declarou. Lula disse ainda que a lei tem procedência e que o setor público pode cumpri-la.

Atualmente, a licença-maternidade é de 120 dias. As empresas pagam o benefício e deduzem o valor das contribuições pagas ao INSS. O projeto aprovado prevê mais 60 dias para as funcionárias de empresas que aderirem ao programa Empresa Cidadã. O salário dos dois meses adicionais poderá ser descontado do IR devido pelas empresas. A medida vale para os setores público e privado, em todos os níveis. No setor privado, só será aplicada a partir de 2010 porque não há tempo de incluir, no Orçamento de 2009, os recursos para a renúncia fiscal. Segundo Mantega, é normal que a Fazenda seja mais conservadora e mais prudente. “Mas a última palavra é do presidente e ele, que tem mais sensibilidade política do que nós, sabe o que é bom para a população e acha que vale a pena termos esse gasto”, disse ele no programa de rádio do governo, Bom dia, ministro.

 

 

 

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