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Grupo móvel resgata trabalhadores em Mato Grosso

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Atualizado em 18/08/2014 - 01:04

Cerca de 60 pessoas, entre elas quatro crianças e quatro mulheres, foram resgatados pelo grupo móvel de combate ao trabalho escravo em dois Municípios de Mato Grosso. A operação do grupo móvel começou na sexta-feira (18), na fazenda Vila Verde, localizada no município de Tapurah, de propriedade de Caetano e Orlando Polato, que são reincidentes na prática do mesmo crime.

Os fazendeiros já haviam assinado termo de ajustamento de conduta perante o MPT de MT em 2001 e em 2005, após arrendarem a fazenda para o grupo econômico Bom Futuro, que atua no plantio de soja e algodão. A fazenda tem hoje 285 empregados e está com suas atividades interditadas em razão das irregularidades trabalhistas encontradas.

Na fiscalização, foram resgatados 41 pessoas que estavam trabalhando em condições degradantes além de estarem expostos ao risco de contaminação por agrotóxicos, já que a pulverização do veneno era feita por um avião que sobrevoava a plantação jogando o produto inclusive sobre os trabalhadores.

O representante do grupo econômico Bom Futuro, José Maria Bortoli, disse que desconhecia as irregularidades e se comprometeu a regularizar a situação dos trabalhadores resgatados, pagando as verbas rescisórias e assinando a carteira de trabalho.

No domingo (20), o grupo móvel fiscalizou a gleba Rio Ferro, localizada no Município de Feliz Natal, de propriedade de Dorley Rodrigues de Freitas e de seu filho, onde foram resgatadas 20 pessoas entre elas quatro crianças e quatro mulheres, todos vivendo em condições degradantes.

Os trabalhadores estavam desmatando uma área de 3.500 hectares para formar pasto, e nem mesmo duas nascentes foram poupadas da destruição. Além do crime ambiental, os donos da área não assinaram a carteira de trabalho dos empregados e estavam sem pagar três meses de salário.

Os empregados não tinham alojamento, condições para a higiene pessoal nem água potável. O banheiro de madeira foi construído dentro de uma das nascentes. Os donos da área se comprometeram a pagar as verbas rescisórias hoje (22) e a assinar a carteira de trabalho, além de recompor a vegetação nas áreas de  nascente.

De acordo com o procurador-chefe da PRT 23ª, José Pedro dos Reis, que integra o grupo móvel, nos dois casos, os proprietários deverão assinar termo de ajustamento de conduta perante o MPT em Mato Grosso, visando a regularizar a situação dos trabalhadores e fazer as instalações adequadas para novos empregados que forem regularmente contratados.
 
Fonte: Assessoria de Comunicação Social da Procuradoria Regional do Trabalho da 23 ª Região (Mato Grosso)

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