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Gaste tempo para economizar dinheiro

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Atualizado em 08/11/2016 - 10:24

gaste-tempo-economizar-dinheiroPor falta de planejamento, o brasileiro gasta até 18% da sua renda só para pagar juros. Para o consultor financeiro Gustavo Cerbasi, as horas dedicadas à programação das despesas podem reduzir esse custo, poupando recursos para o investimento em projetos pessoais – Por Vanessa Vieira

Neste segundo semestre, o consultor financeiro Gustavo Cerbasi relançou, pela editora Sextante, o livro Como Organizar Sua Vida Financeira. Autor de best-sellers como Casais Inteligentes Enriquecem Juntos; Mais Tempo, Mais Dinheiro e Investimentos Inteligentes, Gustavo acredita que esse volume é o mais importante de sua obra, por ajudar o leitor a fazer desde o diagnóstico da situação financeira até a elaboração de um planejamento de longo prazo, passando por tópicos como a escolha dos melhores investimentos, os cuidados ao fazer operações de crédito, o que avaliar ao adquirir seguros e a preparação do imposto de renda. Num momento em que a inflação crescente reduz o poder de compra dos brasileiros e no qual o alto custo do crédito aumenta o risco de endividamento, Gustavo Cerbasi falou a VOCÊ S/A sobre como a organização do orçamento e o planejamento financeiro podem fazer a diferença para quem deseja conciliar gastos menores com maior qualidade de vida.

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Por que você afirma que o passo mais importante para a organização financeira é o autoconhecimento?

Até 2009, antes de escrever esse livro, eu tinha um escritório para orientação financeira individual. Uma das coisas que mais me surpreendiam nessa experiência era a constatação de que nove em cada dez dos meus clientes não sabiam sequer se gastavam menos do que ganhavam. Normalmente, as pessoas endividadas ou que não conseguem poupar não compreendem por que sua conta nunca fecha. Elas entram 300 reais no negativo, mas têm uma série de estoques em sua casa que nem percebem – alimentos não consumidos estragando na despensa, roupas paradas no cabide. Mas, como não entendem o que está acontecendo, se acham azaradas. Creditam os problemas financeiros a um excesso de imprevistos. Imprevistos todos têm e ninguém consegue controlá-los. Eles só se tornam um problema quando temos um orçamento muito engessado, porque comprometemos muito da nossa renda no financiamento da casa, do carro e na escola dos filhos. Para que consigam enxergar sua real situação, convido ao leitores fazerem um mapeamento de sua vida financeira. É como um hemograma, em que você consegue identificar onde estão os desequilíbrios – nos triglicerídeos, no colesterol, ou no número de leucócitos, por exemplo – para conseguir tratar cada um desses problemas.

 

E como começar esse diagnóstico?

Para quem não está habituado a monitorar seus gastos, o ideal é que, pelos menos nos 30 primeiros dias, todos os gastos sejam registrados num aplicativo ou numa planilha, com frequência diária. Até uma pequena compra no camelô deve ser contabilizada. Os pequenos gastos costumam ser vilões do orçamento, por isso você precisa saber como está gastando. Depois de saber quanto você gasta com cada item, pode começar a programar essas despesas e, se for o caso, delimitar um valor menor para destinar a determinada categoria. Mas atenção: ao prever as despesas mensais, você tem de levar em conta a sazonalidade – afinal, há gastos diferentes a cada mês, como viagens, Natal ou Dia das Mães.

 

Depois de organizar o orçamento, como dar início a um planejamento financeiro de longo prazo?

Para elaborar seu planejamento, pergunte-se antes quais são seus desejos de longo prazo. Sabendo o preço dos seus sonhos e o montante necessário para viabilizá-los, você fará um esforço consciente para economizar. A cada ano, refaça as contas para saber se fatores, como a inflação, afetaram o custo do sonho e se o ritmo em que você vem economizando continua sendo suficiente para atingir seus planos. Verifique que gastos deixaram de fazer sentido e se já há pacotes mais vantajosos para itens como TV a cabo, planos de telefonia e outros serviços contratados por assinatura.

 

Como evitar que as compras de grande valor levem a dívidas?

A orientação é, antes de fazer a compra, aumentar sua reserva de emergências. Todo mundo deveria economizar, ao menos, dois ou três meses das suas despesas e colocar numa aplicação que garanta liquidez, para ter segurança e poder sacar o montante em caso de imprevistos – ou de uma boa oportunidade de investimento. Antes de um parcelamento de longo prazo ou um financiamento, deve-se elevar essa reserva a um valor equivalente a quatro ou cinco meses das suas despesas. Ela é o seu colchão em períodos turbulentos.

 

Quais os principais erros cometidos pelos brasileiros nas operações a crédito, uma das principais causas de descontrole financeiro?

Em primeiro lugar, o brasileiro não tem pesquisa e, por isso, desconhece alternativas, como as cooperativas de crédito, que oferecem juros menores. Com as opções oferecidas por outros bancos e entidades em mãos, você pode escolher a melhor ou levar para o seu gerente. Se ele não cobrir, pode estar na hora de trocar de banco. Outro erro é confundir empréstimo com financiamento. O primeiro é um aluguel do dinheiro do banco, e só deveria ser usado em dificuldades passageiras e ser quitado o quanto antes. O segundo tem algum bem como garantia e, por isso, tem risco e custo menores. Eu aconselho as pessoas a substituir o excesso de empréstimos por financiamentos. O refinanciamento do carro ou um financiamento que tem o imóvel como garantia sai muito mais barato.

 

Em sua opinião, quais os critérios para se escolher um investimento?

O que deve pautar essa escolha não é a maior ou menor rentabilidade de uma aplicação em determinado período. O que eu recomendo é investir sempre, degustar as opções, experimentar. Só assim você vai conhecer a dinâmica de cada aplicação e, com o tempo, ganhar confiança para investir da melhor forma. Se, mesmo com esse tempo, continuar se sentindo desconfortável com aquele tipo de investimento, ele não é para você.

 

Por que o planejamento financeiro não deve visar a cortar custos, mas a nos permitir gastar mais com o que gostamos?

Quem planeja seus gastos consegue preços e condições de pagamento mais vantajosas, poupando mais dinheiro para fazer o que gosta. É o mesmo raciocínio de programar as férias com antecedência para conseguir os melhores serviços aos menores preços. É justamente por não planejar que o brasileiro gasta de 15% a 18% da sua renda apenas para pagar juros. O planejamento nada mais é do que um gasto de tempo pago com economia de dinheiro.

 

Fonte: Esta matéria foi publicada originalmente na edição especial Organize suas contas da revista Você S/A, em dezembro de 2009 e pode conter informações desatualizadas. Acesse:https://df8aa6jbtsnmo.cloudfront.net/download/Gustavo-Cerbasi_VoceSA.pdf

 

 

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