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Foi reprovado de novo no concurso? Não desanime!

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Atualizado em 18/08/2014 - 01:04

Por Ana Laranjeira

Estudar para concurso é uma luta diária. Você dedica tempo, esforço físico e psicológico, abdica de outros momentos da vida e prioriza os estudos. Como não desanimar se depois de tudo isso você olhar a lista de aprovados e não ver o seu nome lá? Ou ainda quando aprovado, ficar fora das vagas ou cadastro de reserva?

A consultora em concursos públicos e colunista do G1, Lia Salgado, faz uma análise interessante sobre essas “derrotas” sofridas pelos concurseiros tantas e tantas vezes, e levanta perguntas importantes que você deve se responder para identificar onde está o erro antes de desistir e jogar a toalha.

Lia afirma que, em primeiro lugar, é importante saber que essa é uma etapa praticamente obrigatória no caminho de quem busca uma vaga na administração pública. “O projeto é grandioso e, por isso, o sucesso não vem de imediato. Quem tem consciência disso tem mais condições de superar as dificuldades do que aqueles que começam a estudar como se fossem ‘corredores de 100 metros rasos’, que não terão a resistência necessária para concluir a maratona”, diz ela em matéria recente para o G1.

Podemos considerar que a decisão de fazer concurso é a 1ª etapa, seguida da 2ª, que é marcada pelo entusiasmo do iniciante. A etapa das reprovações traz as primeiras pedras do caminho. Por outro lado, é a mais rica, em termos de possibilidades reais de amadurecimento do candidato em relação aos conteúdos e à prática de fazer provas. Mas, é preciso objetividade de treinador para reconhecer o que precisa ser melhorado. E coragem de herói para não se deixar abater, porque é agora que o jogo realmente começa e são separados os que ficarão pelo caminho daqueles que vão vencer.

Para ajudar na sua avaliação, Lia sugere algumas perguntas:

1 – Você está prestando concursos que cobram conteúdos muito diferentes?

Essa pode ser uma das razões das reprovações. É importante escolher uma área de concursos e manter o foco, porque haverá um leque de matérias em comum e, assim, o conhecimento adquirido para um concurso será aproveitado para o seguinte.

2 – Você sempre acerta um percentual de 50 a 70% nas provas?

Tem muita gente que faz um concurso e, mesmo sem grandes preparações, acerta uma boa quantidade de questões – mas não o suficiente para ser aprovada. E fica aguardando o próximo – sem estudar -, acreditando que terá mais sorte. O problema é que o percentual de acertos que falta para a aprovação não virá com sorte, e depende de dedicação e estudo sério, como comentaremos na pergunta seguinte.

3 – Você já viu toda a teoria das matérias básicas?

Após cada reprovação é preciso seguir estudando as matérias básicas da área escolhida, mesmo sem novo edital publicado. É isso que vai garantir vantagem em relação aos outros candidatos na próxima oportunidade. Uma semana de pausa após uma prova é o suficiente para recarregar as baterias e retomar a programação de estudo.

4 – Você não fez a pontuação mínima na matéria que achava que sabia mais?

Há casos em que o candidato fica tão seguro em uma disciplina que deixa de estudá-la e, na hora da prova, percebe que esqueceu informações que já soube bem. Por esse motivo, todas as matérias que serão cobradas devem ser estudadas a cada semana ou quinzena. Concluído o estudo da teoria (acompanhado de exercícios), o candidato deve preparar fichas-resumo e fazer revisões periódicas paralelamente à resolução de provas da disciplina.

5 – Suas reprovações são sempre por causa das mesmas disciplinas?

Observe se existe um “ponto fraco” no seu desempenho. É natural que o candidato tenha mais facilidade em algumas disciplinas, menos em outras e, em alguns casos, reais dificuldades em uma ou mais matérias.

É sempre interessante olhar as matérias como se fossem um time. Se há jogadores muito fracos, eles precisam treinar mais. Na prática, se existem disciplinas em que o candidato ainda não foi até o fim da teoria, ou chegou ao fim mas não tem segurança na hora de responder às questões, isso pode ser resolvido aumentando o tempo de estudo dessas em relação às demais. Lembrando que todas as matérias devem ser estudadas a cada semana ou quinzena, para nada cair no esquecimento, mas pode ser elaborado um planejamento em que algumas matérias tenham mais de um período de estudo até que o candidato tenha nelas a mesma segurança que tem em outras.

Outra possibilidade interessante é, quando acontecer um feriado ou tempo extra, o candidato fazer um estudo intensivo, dedicado somente àquela matéria, para alavancar o conhecimento.

Se a dificuldade persistir ou for grave, procure voltar ao início do estudo, como se fosse a primeira vez. Uma providência que costuma funcionar muito bem é refazer o módulo da matéria com outro professor ou mesmo a partir de livro de outro autor. O que parecia incompreensível da primeira vez já será mais simples e as arestas vão sendo aparadas.

6 – Você leva um susto quando se depara com a prova ou erra bobagens porque cai nas pegadinhas das questões?

O costume de resolver provas de concursos anteriores é essencial para o amadurecimento do candidato diante da prova. O estudo e a compreensão da teoria são condições necessárias, mas não suficientes para ser bem-sucedido na hora da prova, porque o candidato precisa estar preparado para o nível de profundidade e complexidade que será cobrado no concurso.

Dependendo do cargo almejado e da banca examinadora, doutrina, jurisprudência e análise de casos – nas disciplinas envolvendo direito – ou questões bastante complexas e longas podem ser cobradas. Outras bancas gostam de incluir palavras que alteram completamente o sentido da frase e, muitas vezes, passam despercebidas pelo candidato.

Por esse motivo, a resolução de provas anteriores de diversas bancas organizadoras – enquanto não há um concurso em vista – e da banca que vai elaborar as questões do concurso escolhido – quando for publicado o edital – é providência essencial e pode ser a diferença entre mais uma reprovação ou a aprovação e conquista da vaga.

7 – Na hora da prova, você entra em pânico?

Algum nervosismo no dia da prova é quase inevitável, afinal, há muita coisa em jogo. Mas o candidato que não consegue manter a serenidade necessária pode ter dificuldades para ler e compreender os enunciados das questões. Além disso, o resgate das informações no cérebro também fica comprometido.

A prática de atividade física durante o período de preparação ajuda a manter o estresse sob controle e a construir uma postura de equilíbrio emocional e de mais resistência a momentos de pressão.

O hábito de resolver provas anteriores também ajuda a familiarizar o candidato com o que vai enfrentar no dia do seu concurso, reduzindo o impacto da situação nova.

Na hora da prova, respirações profundas e suaves podem ser úteis para recuperar o equilíbrio. E lembrar que, por melhor que seja aquele concurso, sempre haverá outro, também coloca a situação em uma perspectiva menos dramática.

8 – Falta tempo na hora da prova?

Há provas tão extensas e complexas que praticamente nenhum candidato consegue fazer todas as questões por falta de tempo. Mesmo assim, há estratégias que podem ser adotadas para tirar o melhor proveito da prova.

Matemática e outras disciplinas afins exigem prática para que o desempenho possa ser melhorado. Assim, fazer muitos exercícios simples enquanto está estudando pode fazer a diferença para ganhar agilidade, que será útil na hora da prova.

Enunciados muito extensos também requerem alguma prática, para que não se perca tanto tempo. E aí, mais uma vez, a familiaridade com questões da banca por meio da resolução de provas anteriores acostuma o candidato a lidar com a situação.

Na hora da prova, é interessante começar pela disciplina em que se tem mais segurança para não ficar desestabilizado no início da prova – que é o momento de pico de adrenalina – e comprometer todas as disciplinas.

Uma boa estratégia é priorizar as questões que podem ser resolvidas rapidamente, em todas as disciplinas, deixando aquelas que não têm solução rápida para um segundo momento. Assim, caso o tempo não seja suficiente, ao menos tudo o que o candidato sabia será respondido e os pontos, garantidos.

Manter o sangue frio – mesmo ao se deparar com assuntos nunca vistos – também é uma atitude útil. Se você estiver bem preparado e desconhecer o assunto, provavelmente a maioria dos candidatos estará na mesma situação e não será isso o que fará a diferença para a aprovação.

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