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Escritórios se preocupam em atrair e reter talentos

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Atualizado em 18/08/2014 - 01:04

Postado por Ana Laranjeira      
Fonte: Revista Consultor Jurídico

A II Pesquisa Tendências na Gestão de Pessoas em Escritórios de Advocacia, realizada pela consultoria Wisdom, vai até o dia 15 de dezembro e os escritórios interessados em participar podem responder ao questionário pela internet, no site da empresa. O objetivo da pesquisa é entender como os responsáveis pela área de recursos humanos das bancas brasileiras vão trabalhar em 2012. O relatório, que deve sair em janeiro de 2012, terá também uma análise do que foi feito em 2011 e um comparativo com 2010.

Na primeira edição da pesquisa, feita em 2010, a Wisdom apontou que 76,7% dos escritórios de advocacia priorizaram a atração e retenção de talentos. Em seguida, a preocupação das bancas era remuneração, planos de carreira e sucessão. O levantamento mostrou ainda que 91% dos escritórios pretendiam, neste ano, aumentar seus investimentos em treinamento e desenvolvimento de seus profissionais.

Na primeira edição participaram 30 escritórios, entre os 100 maiores do país. Entre os participantes estavam Demarest e Almeida Advogados, Gaia, Silva, Granadeiro Guimarães Advogados, Machado Meyer, Salusse Marangoni Advogados, Siqueira Castro Advogados, entre outros.

Cenário    
O relatório da primeira pesquisa mostrou um quadro de localização geográfica, como foco estratégico de atuação dos escritórios. O resultado indicou que a região Sudeste concentra 90% da participação do número de advogados dos escritórios. O estado de São Paulo representa 70% desse quadro e o Rio, 16,3%. O restante (10%) fica distribuído entre Sul (6,7%) e Nordeste (3,33%).

A participação por área de especialidade destacou que, em 2010, 73% dos escritórios trabalhavam em tributário, trabalhista e cível; em seguida vinha direito societário, do consumidor e contratos comerciais, respectivamente 70%, 67% e 63% das bancas. A maioria dos escritórios (52%) definiu seu foco de atuação com base nas necessidades dos seus clientes, definindo-se como full service. Já 33% dos escritórios definiram sua atuação como abrangente e 14,81%, como especializada.

Em recursos humanos, as três áreas que ganharam atenção dos escritórios foram atração e retenção de talentos (76,7%); seguida pela remuneração (63,3%) e plano de carreira (50%) dos profissionais. De acordo com a pesquisa, o aquecimento da economia reforçou a tendência de maior concorrência por áreas de atuação como perspectiva para 2011, justificando a preocupação continuada dos escritórios em reter seus talentos.

A Wisdom destaca que embora os escritórios mostrassem ações para reter talentos em curto, médio e longo prazo, há um menor interesse em treinamento e desenvolvimento desses profissionais. “Isso porque, em geral, profissionais visam ao próprio crescimento nas organizações e planos de carreira e sucessão amarrados a sistemas de gestão de remuneração bem estruturados podem alimentar a percepção de perspectivas positivas”, aponta o relatório.

No entanto, os escritórios demonstraram interesse em aumentar seus investimentos em avaliações de desempenho. Além disso, a comunicação interna foi apontada como outra área que ganharia atenção e recursos de 52% dos escritórios neste ano.

Evolução   
No comparativo com 2009, a pesquisa apontou um crescimento de 10 pontos percentuais em estratégias para atrair jovens talentos, com os chamados programas de estágio. Em relação ao recrutamento e seleção para área administrativa, metade dos pesquisados manteve o investimento em 2010 e um percentual maior, de 63,3%, afirmou que faria o mesmo em 2011. Já em relação à equipe jurídica, 40% dos entrevistados aumentaram seus investimentos em 2010 em comparação a 2009. Ainda, 60% dos escritórios prometeram investir em profissionais qualificados em 2011.

O plano de carreira e sucessão foi visto pelas bancas como prioridade para 2011. A equipe jurídica receberia investimentos durante este ano, conforme afirmou 46,7% dos escritórios pesquisados. Já a estrutura de cargos e salários, no comparativo 2009 e 2010, foi mantida em 66,7% das bancas brasileiras. No entanto, a pesquisa mostra “um forte movimento” em ampliar para 46,7% a equipe jurídica e 40% a administrativa.

Benefícios e contratação     
A maioria dos benefícios usuais no mercado, em geral, são concedidos pelas bancas, o que teria importância para atrair os jovens talentos. No entanto, no biênio 2009 e 2010, a maior parte dos investimentos em benefícios foi mantida. Entre os escritórios, é mais comum conceder auxílio alimentação (80%) e assistência médica (76,7%). Para 2011, a maioria das bancas prometeu iniciar ou aumentar seus investimentos em benefícios.

A dificuldade na contratação de profissionais qualificados é outro item que assombra os escritórios brasileiros. Cerca de 80% das bancas enfrentam essas dificuldades na contratação de pelo menos algum dos níveis hierárquicos pesquisados. A maior dificuldade está na contratação de advogados júnior (40%) e, em seguida, a de advogados pleno (30%). Segundo o relatório, um cruzamento de dados permite levantar a hipótese de que a dificuldade para encontrar profissionais qualificados para as demandas “é a responsável pelo aumento na intenção de investir na capacitação tanto da equipe jurídica quanto da administrativa.”

As bancas adotam cinco tipos de regimes de contratação de advogados CLT, associado OAB (RPA), prestação de serviços (PJ) e sócio de capital e de serviço. A principal diferença entre eles é a carga tributária — as alíquotas incidentes são diferentes para o escritório e para o integrante da equipe jurídica. A participação societária é apontada pela pesquisa como a usual em 76% das bancas, em segundo lugar, a CLT (53,3%) e em terceiro o associado OAB.

Para a consultoria, os critérios de remuneração são importantes para manter os profissionais. O salário com base nos conhecimentos específicos não leva em conta “as atitudes” do profissional em relação à carreira. Mas, adverte que os prêmios em competências comportamentais são avaliações meramente subjetivas. Para 2012 a segunda edição da pesquisa vai verificar se as promessas de mais investimentos pelos escritórios se concretizaram neste ano e, analisar também, quais foram as áreas em que os recursos foram apenas mantidos.

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