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Escondo ou divulgo minha preparação para Concursos?

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Atualizado em 18/08/2014 - 01:04

Postado por Ana Laranjeira      
Escrito pelo especialista em Concursos Públicos, Rogério Neiva

Qual será a postura mais adequada por parte do candidato: executar a preparação para o concurso público de forma reservada e sigilosa ou não ocultar e divulgar o envolvimento no presente projeto? Alguns candidatos a concursos públicos não fazem qualquer questão de omitir que estão envolvidos nesta empreitada. Inclusive, na realidade, estes fazem até questão de divulgar nos círculos familiares e de amizade. Já outros fazem de tudo para que não se saiba que estão na trajetória de preparação. E tais atitudes podem ser adotadas de forma refletida e avaliada ou não.

O objetivo do presente texto consiste exatamente na abordagem deste assunto, o qual pode não ser considerado por muitos, mas grande importância e significativas repercussões.

Para começar a reflexão, vamos às possibilidades e variáveis envolvidas, em termos de vantagens e desvantagens.

Divulgar ou não ocultar o fato de estar se preparando para o concurso pode ter uma série de motivos, os quais podem ser considerados de forma consciente ou não. Tal atitude pode ser adotada de modo a prestar uma satisfação às pessoas à volta do candidato, no sentido de mostrar que está comprometido, envolvido e envidando esforços em busca de determinado objetivo. Para aqueles que estão exclusivamente se dedicando ao concurso, por vezes se trata de uma atitude necessária e natural, inclusive no sentido de prestar contas, diante da falta de ocupação de natureza tipicamente profissional.

Outro motivo considerado consiste na busca de estímulos externos e incentivos. Não se pode negar que manifestações de apoio, sendo sinceras, incentivadoras e positivas, são relevantes. Podem redundar inclusive num elemento motivacional.

Outra possibilidade, nem sempre assumida, seria um tipo de exercício de ostentação, como se fosse uma vantagem, por vezes associada à atitude de se colocar como se já tivesse passado. Traduzindo, existem candidatos que revelam a condição de candidato, como se já fossem titulares do cargo e promovendo tal manifestação em tom de ostentação, isto é, o candidato diz “estou fazendo concurso para o cargo de…”, mas querendo dizer “serei ocupante do cargo de…”. E para piorar, por vezes tal colocação vem com uma dose de arrogância, soberba e exercício de vaidade intelectual. Já vi muito isto.

Portanto, existem motivos mais ou menos louváveis que levam à atitude de não ocultar o envolvimento na preparação para o concurso público.

Já quanto à atitude de ocultar, o primeiro fator relevante consiste em evitar as cobranças externas. Pensando na lógica da psicologia do comportamento, baseada na noção de estímulo/resposta, não tenho dúvida de que o fato ou a possibilidade do fato de ser cobrado quanto a resultados se traduz em verdadeiro estímulo negativo.

Faça um exercício de imaginação e tente comparar uma situação na qual você entra no local de provas sabendo que um exército de parentes e amigos irão lhe perguntar como foi ou consultar na internet o resultado do concurso. Já na outra situação, não há absolutamente ninguém que sabe que você esta fazendo prova. Inclusive, para incrementar ainda mais o cenário, imagine que você está fazendo prova numa cidade que não é a sua e não há ninguém que lhe conhece, sendo que seus amigos e parentes imaginam que você fez uma viagem a lazer.

Em qual das duas situações se sentirá melhor, inclusive para fazer a prova, bem como na conferencia do gabarito? Na primeira ou na segunda?

Conceitualmente, refletindo sobre o primeiro cenário, no qual várias pessoas próximas, em relação às quais se atribui relevância às opiniões, as quais estão a cobrar ou aguardar resultados, há um estímulo potencialmente negativo, correspondente à cobrança, que se traduz em pressão e expectativas.

Se o resultado da prova não for a aprovação, o fato desta quantidade expressiva de pessoas terem conhecimento tende a potencializar ainda mais a negatividade do estímulo. Talvez possa ser mensurado multiplicando pela quantidade de pessoas. E acrescente a esta equação, como uma variável de ponderação para aumentar o resultado, a importância que damos à opinião destas pessoas, o que inclusive tem relação com a lógica da imagem que procuramos manter e construir perante as mesmas.

Considerando tais premissas, ou seja, a possibilidade do resultado frustrante agregado à potencialização negativa, o tema relacionado a qual atitude tomar, em termos de divulgação ou ocultação da condição de candidato a concursos públicos, não pode ser tratado de forma neutra. Inclusive pela real possibilidade de que a divulgação gere um desnecessário fator de dificuldade e de geração de desconforto no momento da prova.

Assim, revelar às pessoas que está estudando para o concurso gera um preço. A questão é qual o seu tamanho, o que pode variar, objetivamente, conforme as circunstâncias, bem como, subjetivamente, diante da estrutura psicológica e emocional do candidato.

E tudo isto precisa ser avaliado, considerado, mensurado e calculado.

De qualquer forma, o fato de dividir com alguns candidatos o envolvimento na preparação para concursos não significa ter que divulgar e tornar público isto entre os amigos e familiares.

E tais avaliações também passam pela forma de encarar e compreender o processo de preparação para o concurso.

Tenho sustentado reiteradamente a importância de trabalhar a forma de encarar a preparação para o concurso, procurando dar leveza ao presente contexto. Muitos candidatos adotam postulas e atitudes que acabam por gerar um peso maior e uma carga emocional desnecessária ao contexto do concurso. As conversas e atitudes nas rodinhas que se formam nos finais de prova refletem o que quero dizer. Não faltam pessoas que estão muito mais interessas em saber no que erramos, exaltando tal situação, do que, efetivamente, buscar as respostas e entender a prova. Trata-se do famigerado “concurseiro espírito de porco” – com todo respeito aos porcos, pobres animaizinhos que não contam com um pingo de maldade.

Neste sentido, merecem destaque dois conceitos fundamentais, os quais envolvem a idéia de trabalhar o prazer em aprender e a lógica do foco no processo.

Mas concluindo, avalie com muito cuidado e seriedade a atitude mais adequada. Avalie os custos e benefícios dos caminhos da discrição ou da divulgação. E assim, tome uma decisão eficiente, a qual lhe faça sentir bem e traga resultados.

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