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Dinheiro não basta

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Atualizado em 25/10/2016 - 13:00

Para enriquecer, é preciso poupar. Isso os brasileiros ainda não sabem fazer como deveriam. Porém, engana-se quem acredita que cortar gastos e acumular para o futuro é suficiente para enriquecer. Ter dinheiro está longe de ser uma boa tradução do conceito de riqueza.

Se eu tivesse que elencar alguns ingredientes fundamentais na construção de riquezas em um país ou em uma família, dinheiro apareceria perto do final de minha lista. Antes dele, é importante desenvolver autoconhecimento.

Para um país, é preciso conhecer detalhadamente suas fragilidades e mazelas antes de se espelhar nos métodos de crescimento de outros países. O Brasil peca neste quesito, pois a pesquisa e a estatística ainda engatinham no país. Na vida das famílias não é diferente. Antes de pensar em poupar para o futuro, é preciso descobrir o que queremos desse futuro. Ter metas claras. Poupar não é prazeroso, mas perseguir o que realmente queremos ou aquilo que sonhamos é um bom motivo para gastar menos no presente.

Para amadurecer em termos de autoconhecimento, é preciso conversar abertamente sobre dinheiro, sobre planos e dificuldades e também sobre vontades. Assuntos que, na correria da vida moderna, parecem ser proibidos, pois podem desestabilizar uma confortável harmonia – a tal zona de conforto do relacionamento.

Além do autoconhecimento, é preciso também ter qualidade nas escolhas. Antes de cortar gastos, é preciso dar qualidade ao consumo, para que o ato de economizar não se traduza em sofrimento. Se o dinheiro sobra, é preciso dar qualidade ao investimento, para que o dinheiro economizado com sacrifício multiplique-se de maneira honrosa. De nada adianta reservar muito dinheiro para o futuro e desperdiçar oportunidades de multiplicá-lo.

Falta-nos qualidade nas escolhas que envolvem dinheiro. Parte da deficiência vem da ainda rara educação financeira nas escolas. Parte vem também da abordagem secundária que é conferida ao ensino da filosofia, a disciplina que nos ensina a duvidar e questionar.

Gastando mal, erramos mais, e obtemos menos prazer do consumo. Na busca de outras fontes de satisfação, consumimos compulsivamente, sem regras ou sem reflexões. Pagamos juros quando não precisaríamos.

Com isso, as finanças da família brasileira continuam precárias. A poupança, se suficiente no esforço, não é suficiente no resultado final. E o Brasil continua dependendo do dinheiro de países mais ricos para sustentar seu crescimento. Já é hora de cuidarmos melhor de nosso umbigo.

Gustavo Cerbasi é consultor financeiro, escritor, e professor do CERS Corporativo – www.maisdinheiro.com.br

 

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