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Declaração de Confiança

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Atualizado em 18/08/2014 - 01:04

Recebemos este texto do ilustre professor Geovane Moraes. Diante de sua riqueza, que vai muito além do estofo jurídico e do conhecimento empírico, publico. É dedicado a todos aqueles que fizeram, estão fazendo ou vão fazer o Exame de Ordem. De toda sorte, não obstante o deleite da profissão jurídica, fica a lição para todas as provas, todas as vidas. Ao mestre, nosso fraternal e efusivo abraço.

 

Ascom CERS / Portal Exame de Ordem.

 

EXCELENTÍSSIMOS SENHORES BACHAREIS EM DIREITO E FUTUROS ADVOGADOS DE QUALQUER LUGAR DESTE PAÍS OAB 2010.1 – SEGUNDA FASE

 

               Geovane Moraes e todos que fazem o Complexo de Ensino Renato Saraiva, já devidamente qualificado ao longo de todas as aulas ministradas vêm, muito respeitosamente, a presença de vocês, com fundamento na paixão que nos move a arte de educar em combinação com a vontade inexorável de querer poder estar ao seu lado neste desafio tão importante, apresentar a presente DECLARAÇÃO DE CONFIANÇA pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos.

 

1. Preliminarmente devo confessar que não sei o quão foi difícil à você chegar até este momento. Posso até imaginar, mas não tenho como mensurar as noites mal dormidas estudando, a correria para poder assistir a aula durante a transmissão ao vivo ou chegar a tempo para o presencial, nem mesmo a quantidade de vezes que você sentiu-se inseguro quanto às peças, questões, teses e jurisprudências.

 

              A real noção do desprendimento de esforço, tempo e dedicação, só quem está vivendo este momento, com suas individualidades e particularidades, pode precisar.

 

2. Fato posto é que chegamos à reta final de nossa preparação. Após uma primeira fase, data máxima vênia, “complicada”, vocês iniciaram a labuta dos estudos específicos. Alguns mais por esperança, do que certeza, pois precisavam de anulação de questões. Muitos chegaram mesmo a acreditar que não conseguiriam atingir os cinqüenta acertos, mas aqui estão.

 

              Foram ministradas aulas, debatidas teses, feito simulados, discutidas questões, citadas súmulas e tudo que estava ao alcance de ser feito a título de uma preparação formal, didática e acadêmica.

 

              Dúvidas foram surgindo ao longo da preparação e centenas de e-mail foram enviados. A grande maioria não podia ser respondida no lapso temporal que muitos desejavam: imediatamente. Mas nosso professor assistente, Renan, com sua inabalável crença que todos os questionamentos devem ser satisfeitos e com sua competência tentou dar o melhor retorno possível, no menor intervalo de tempo.

 

3. Chegamos ao momento então em que a preparação deve se aliar a outros dois institutos indispensáveis: a tranqüilidade de espírito e a confiança em si mesmo.

 

               Tranqüilidade de espírito que talvez muitos de vocês acreditem que não terão, por inúmeros motivos acontecidos até hoje, que listados formariam uma tese justa, mas incabível. Esqueça-os. Não importa o que foi ou passou, mas sim o que é e será. O que passou nos fortalece; o que virá nos enaltece e ufana nossos espíritos. É chegado o momento em que a razão quer se portar como carcereira da esperança e aprisiona sonhos, mediante o regime mais severo que existe: o do temor.

 

               Temor do que está por vir. De não conseguir identificar a peça. De não responder as questões. De tanto esforço ter sido em vão. De não ser este o seu momento. Mas os sonhos são inimputáveis e a eles não cabe sequer medida de segurança. A razão não dever ser nunca uma carcereira, mas sim uma conciliadora experiente que busca mostrar a todos que por mais difícil que seja o desafio, a vontade e a confiança em si mesmo são instrumentos capazes de superá-los. E quanto maior estes desafios forem maior deverá ser esta vontade, em um circulo virtuoso que leva ao sucesso.

 

4. Para citar a doutrina, Mario Quintana certa feita afirmou que só existem nesta vida duas portas, o nascimento e a morte, sobre as quais não temos controle quanto ao momento e ao modo de cruzá-las.

 

               Acredito muito nisso. Mas acredito também, que após cruzarmos a primeira porta e nós acostumarmos um pouco com o ambiente, passamos a ser senhores do nosso próprio destino. Nossos desejos só serão sonhos até o dia que percebermos que vontade, garra e dedicação representam o elixir mais poderoso existente para convertê-los em conquistas. E o melhor de tudo: estes elementos estão presentes no íntimo de cada um de nós e sabendo usá-los corretamente, estes se renovam cada vez mais eficientes a cada nova empreitada.

 

5. Esta é a sua hora. Não espere que ninguém construa seu destino por você o se apiede de suas dificuldades. Não acredite no impossível. Impossível é apenas algo que ninguém acreditou ainda com o afã e lutou com a garra necessária para que ele se tornasse realidade. Depois, o que era impossível, se torna comum.

 

               Este é o momento de acreditar no seu potencial, de relevar as dificuldades e centrar forças nas suas virtudes. É o momento de jogar fora tudo que nos entulha de receios o espírito, declarar extinta a pena dos medos encarcerados no coração e lutar com honra, tendo a certeza que você dará o melhor de si. E acredite, quando fazemos o nosso melhor, quase sempre vamos além do que imaginávamos.

 

               Este é o instante do seu sucesso, na OAB e na vida.

 

               Ante o exposto, postula-se respeitosamente  pelo deferimento deste presente termo, pela expedição do alvará de soltura de todos os temores por ventura aprisionados e da intimação para que a confiança e tranqüilidade estejam presentes com vocês no momento da sua prova e em todos os momentos da sua vida.

 

Termos em que, ouvindo sempre a Deus, nosso mais fiel aliado,

Pede deferimento.

 

 

RECIFE, 23 DE JULHO DE 2010

 

GEOVANE MORAES

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