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Como lembrar o que esqueci na hora da prova?

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Atualizado em 18/08/2014 - 01:04

 

Por Ana Laranjeira

Ninguém está imune ao famoso “branco” na hora da prova. São tantos assuntos, tanta coisa lida e estudada, tantas coisas mudando durante o processo de preparação, que parece mesmo impossível lembrar de todo o conteúdo. E quando a prova começa, sempre tem aquela questão em que a resposta parece estar escapando entre os seus dedos. O cérebro repete incessantemente “eu sei, eu sei, eu sei”, mas a resposta não chega. É angustiante.

O juiz do trabalho Rogério Neiva é também psicopedagogo, possui pós-graduação em administração financeira e é considerado um dos maiores especialistas em preparação para concursos do Brasil. No artigo abaixo, Neiva fala sobre o processo de memorização e técnicas que podem ser utilizadas na hora da prova para que o fantasma do esquecimento não assombre mais ninguém. Olha só!

 

COMO LEMBRAR NA PROVA O QUE FOI ESQUECIDO? A IMPORTÂNCIA DA MEMÓRIA E DA EVOCAÇÃO

Por Rogério Neiva

Não é preciso se esforçar para convencer ninguém de que a memória tem um papel determinante na aprendizagem voltada à preparação para o concurso público.

Vivemos atualmente uma centralidade e valorização excessiva da memória. Por isso, talvez até seja preciso algum esforço para demonstrar que também existem outras habilidades e funções cognitivas necessárias e relevantes para o êxito nas provas.

Porém, muitos candidatos ao pensarem na memória se preocupam apenas com a atividade de registro e armazenamento da informação, de modo que acabam por não dar a devida importância à atividade de recordar, ou seja, a evocação.

A memória possui “duplo papel”, isto é, envolve a capacidade de armazenamento de informações e episódios (registro) e a capacidade de resgate desses registros.

Mas a verdade é que o sentido maior da memória recai sobre a capacidade de resgatar o que foi registrado, ou seja, de recordar ou evocar, de modo a lembrar da informação anteriormente registrada.

Conforme afirma o professor Antonio Damásio, uma das maiores autoridades na atualidade no campo da neurociência, “…a capacidade de manobrar o complexo mundo à nossa volta depende desta faculdade de aprender e evocar – reconhecemos pessoas e lugares só porque fazemos registros de sua aparência e trazemos parte desses registros de volta no momento certo.” (“E o cérebro criou o homem”. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 168).

Na prova do concurso público é exatamente da capacidade de recordação ou evocação que precisamos.

Portanto, não há dúvida de que o êxito da atividade de recordar é fundamental nas provas de concursos públicos. E neste sentido dois aspectos são de grande relevância. O primeiro envolve a prática da atividade de recordar o que foi armazenado. O segundo corresponde às estratégias para recordar nas situações em que temos dificuldades para tanto.

Quanto ao primeiro aspecto, do ponto de vista neurofisiológico, a formação de memórias, enquanto registro de informações, consiste em padrões de interação entre neurônios e neurotransmissores, com a mobilização de determinadas partes funcionais do cérebro com atuação destacada nesta atividade, tal como o hipocampo. Assim, formar memórias consiste em formar circuitos neurais. E quanto mais consistente o registro, mais consolidado é o circuito e mais fácil será promover a reativação.

Portanto, adotando esta premissa, quando conseguimos recordar o que foi registrado, estamos reativando um circuito já formado. Por exemplo, quando fazemos uma revisão, estamos a exercitar nossa capacidade de recordação ou evocação, já que recordar significa fortalecer correspondente à informação memorizada.

O outro aspecto relevante consiste na estratégia para recordação, principalmente nas provas. Aliás, esta ideia consiste em conceito que trabalho nos contextos de véspera de prova, também se relacionando com as estratégias de realização de provas.

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Mas vamos imaginar que você está fazendo uma prova e não consegue lembrar a informação que precisa para identificar a resposta correta. Porém sabe, conscientemente, que já teve contato com a informação, a qual chegou a ser armazenada enquanto memória.

Isto é, naquele momento que você tanto precisa, não se lembra. Mesmo tendo sido formado o circuito relacionado ao registro daquela informação.

O que fazer? Aqui vai uma dica muito importante e valiosa!

Primeiramente é preciso tentar trabalhar estratégias para evitar ou neutralizar o nervosismo e o stress, pois, por uma série de motivos que não vou discorrer aqui, ficar tenso e nervoso só atrapalha.

E para tentar recordar é preciso tentar lembrar do maior número possível de informações relacionadas com aquela que você busca resgatar. Inclusive, você pode tentar fazer isto por pouco tempo e seguir adiante, pois estruturas inconscientes do seu cérebro continuarão trabalhando na tentativa de lembrar. É como se tivesse disparado um mecanismo de relembrar, de modo que, de repente, a informação pode aparecer.

Vou dar um exemplo corriqueiro.

Imagine que você quer lembrar o nome de uma música ou de uma banda que não consegue. Daí deve começar a lembrar de tudo que se relaciona a este objeto de informação, como o nome de outras bandas, cantores, outras músicas, eventos, programas, enfim, tudo que conseguir. De repente, o nome da banda ou da música aparece.

Pode testar! O mesmo pode ser feito com nomes.

Mas o que está por trás disto?
No caso, você trabalhou uma estratégia para reativar aquele circuito que não conseguia, a partir de outros circuitos semelhantes. E há vários fundamentos neurofisiológicos e cognitivos para a compreensão deste mecanismo, do quais lhe pouparei neste texto.

Portanto, concluindo, tenha a preocupação não apenas com o registro, no processo de formação de memórias. Preocupe-se também com a capacidade de recordação ou evocação.

Boas lembranças de boas experiências e informações!

 

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