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A marcha da insensatez

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Atualizado em 18/08/2014 - 01:04

O País não cessa de nos surpreender. Quando acreditamos ter visto tudo, ou quase tudo, eis que surge um fato novo, que foge a qualquer parâmetro de sensatez. O ministro Luiz Marinho, da Previdência, acaba de publicar no Diário Oficial ato que dá cobertura previdenciária a invasores de terras, públicas ou privadas. Ou seja, os invasores teriam cobertura previdenciária para seus atos de violação do direito de propriedade. Seriam equiparados a qualquer trabalhador, que paga impostos. Ademais, em sua decisão, o ministro ainda considerou a propriedade como algo irrelevante, não devendo ser levada em consideração.

O atual governo não vem respeitando a lei, sem que nada aconteça, o que é ainda mais incrível. Juridicamente, propriedades invadidas não poderiam ser objeto de desapropriação. E, no entanto, o INCRA, órgão estatal, convalida tais atos. Os invasores deveriam ser retirados das listas dos assentáveis. E, no entanto, nenhuma medida é tomada para identificar essas pessoas e puní-las por esse flagrante desrespeito à lei. O governo finge que não é com ele. E o fingimento se torna essa "nova" realidade, tanto mais acabrunhante por atentar contra os alicerces mesmos de uma sociedade livre: a propriedade privada e o estado de direito.

Não contente, o governo ainda subsidia os ditos movimentos sociais com recursos públicos, que são transferidos a ONGs "laranjas" que cumprem com essa função. As justificativas são as mais variadas, como as que realçam a "educação solidária" e o "cultivo alternativo" ou outras da mesma espécie. A imaginação revolucionária segue o seu "livre" curso. O que não se diz explicitamente é que tais recursos financiam as invasões e a formação da consciência dos invasores. Os dogmas são, assim, transmitidos. E essa formação se faz por intermédio de livros textos, que reescrevem a história na perspectiva de Lênin, Trotsky, Stálin, Mao, Fidel Castro e Che Guevara. Há para todos os gostos. Mais recentemente, este novo "humanitário", Hugo Chávez, que preza os seqüestradores e os narcoguerrilheiros, foi elevado à condição de novo farol da humanidade. Nesta perspectiva, as FARC são "humanitárias"!

As "novidades", contudo, não param aí. Multiplicam-se os cursos universitários em todo o país, em áreas como direito, pedagogia e veterinária, feitos sob medida para os "movimentos sociais". São uma "reserva especial" deles. Essa organização política indica os que participarão desses cursos, elaborando, inclusive, grades curriculares que correspondam aos seus conteúdos e perspectivas. Tal educação, dita "participativa", se faz segundo as lentes ideológicas, que orientam esse "movimento" de ruptura com a democracia representativa. Cria-se, desta maneira, uma "universidade" dentro da universidade, com financiamento do Ministério da Educação, num completo desrespeito à igualdade, segundo o mérito, que deveria presidir o ingresso numa instituição de ensino superior. Na verdade, é o contribuinte que está pagando pelo avanço do "socialismo", a saber, da "democracia totalitária".

E o contribuinte continua pagando, como se não houvesse limites. A desmedida é total. Os invasores são também financiados com recursos públicos através do bolsa-família, da cesta básica e de escolas especiais. Produtos importados (do Uruguai), como o arroz, acompanham esses grupos violentos. A cachaça, porém, é brasileira. As invasões são empreendidas com o dinheiro de cada um de nós, via impostos e contribuições, que estão presentes no modo mesmo de manutenção e conservação destes ditos movimentos sociais. Aquele que trabalha deve pagar impostos, enquanto os invasores são os beneficiários dessas transferências de bens e propriedades. Não esqueça: em cada invasão você pode ver o emprego dos seus próprios recursos!

Agora, em outro ato de "generosidade" com os recursos alheios, o governo planeja dar cobertura previdenciária aos invasores. O proprietário, indiretamente, está pagando a violação de seus próprios bens. O MST e as organizações congêneres podem oferecer mais esse "serviço" aos seus "afiliados". Isto é, uma organização revolucionária, que procura solapar os fundamentos de uma sociedade livre, assegura cobertura previdenciária aos seus militantes e membros, sempre e quando sigam as suas ordens e instruções.

A continuar essa marcha da insensatez, o próximo passo poderá ser o de considerar a relação entre invasores e invadidos ou entre seqüestradores e seqüestrados (no caso dos reféns das propriedades violadas, prática usual) como uma "relação de trabalho", com direitos, inclusive, junto à Justiça do Trabalho. Não está excluído que certos juízes dêem ganho de causa aos demandantes! Na insensatez, nada é impossível!

Imaginem a seguinte situação. O MST invade uma propriedade e os seus membros lá permanecem por mais de um ano. Por exemplo, isto é comum no estado do Paraná, onde o governador Requião não cumpre os mandatos de reintegração de posse. Os invasores encenariam o trabalho, cultivando certos produtos. Configurar-se-ia, então, sob a ótica da insensatez, uma "relação trabalhista". O proprietário, tendo perdido a posse de sua propriedade, amargando com todos os prejuízos daí decorrentes, poderia vir a ser "responsabilizado" por invasores que o demandariam na "Justiça". Embora isto possa parecer "surreal", a realidade se encaminha para tal desrespeito às normas elementares da convivência democrática e do estado de direito.

Hoje, proprietários já são, muitas vezes, obrigados, por decisão judicial, a pagarem os ônibus que levarão os emessistas para os seus lugares de "origem". Além dos prejuízos, os agricultores ainda devem arcar com mais esses custos das invasões, decorrentes de sua própria realização. E quem paga os ônibus e a logística mesma das invasões? Você!

FONTE: DIÁRIO DO COMÉRCIO

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